sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Tempo Crescente


 Olhos esbugalhados;
Sorriso inocente;
Cheiro de algodão doce;
Gente crescente;
Aroma suave vindo lá de dentro;
Pegadas curtas desafiam o tempo;
Daquele imenso castelo, só restou o vento.

Espaço Plural

Estou aqui, o vai e vem dos saltos, os gritos das crianças
Os abraços dos adultos, os alarmes que apitam, os seguranças que transitam;

Os pedidos de informações, corpos que cambaleiam sem direções, estou aqui, o único singular desse lar de plurais.

Hibisco


Quem ver o meu bigode pensa que comigo ninguém pode

Um olhar feminino, um jeito masculino, o sexo definido, e surge a dúvida, será menina ou menino? Não sei, só procuro ser o que sempre sonhei, eu.

Flor sem cor


 Ela está lá todos os dias, as pernas retas para baixo, a cabeça ereta, o olhar distante e o pensamento não sei onde;
Todos os dias a vejo, ela não me ver, nem imagina que em trinta segundos ela se torna o astro do dia;
O ônibus passa, as pessoas passam, o tempo passa e ela continua ali, como um branco e preto jasmim.

Andorinhas


 Voaram, voaram, em muitos portos migraram, pra lá do sul e do extremo sul, é nordeste, é sudeste e agora centro oeste. Onde passavam arrastavam olhares, muitos curiosos, muitos invejosos. Vinte e seis dias de pura aventura, mochilas nas costas e muita bagagem no coração.

Vestígios


Quando a tempestade veio inundou meu jardim, as flores murcharam. Nem grama, nem capim;
As borboletas voaram para outros campos;
As abelhas encontraram outros sabores;
A água arrastou tudo, o trovão me partiu ao meio e o que ficou não tinha cheiro, mas a primavera tornou-se presente e tudo que era lama se voltou sorridente;
Os dias ficaram mais claros;
Chegaram os primeiros brotos de jasmim;

O pasto verdejante tomou conta de mim, revivi.

É big! é big!



Nem preciso dizer a data, 14, sim 14 do segundo mês do ano, todos estão convidados, todas também, todos e todas que formaram ciclos longos e curtos na minha vida, todos e todas que amei, que me amaram, que um dia chamei de meu, de minha, a festa é dos meus ex, ex escolhas, ex sorrisos, ex amantes. A sala ainda está vazia, nenhum móvel, quem deve chegar primeiro? Ele ou ela? Eles ou elas? O que diriam dessa comemoração? Comemorariam meu renascer ou viriam querendo uma chance para mais um entardecer?

Céu


Não existe limite para esse azul anil, que algumas vezes é azul piscina, outras muitas, azul marinho;
Nosso olhar se perde em sua infinidade;

Há notícias de outros mundos, há noticias de outras constelações, do que não há noticias é de outro invólucro universal que transmita paz e esperança.

O baile...

O vento que sobe de sua saia alisa meu rosto, estremece meu corpo;

O vai e vem da sua silhueta me hipnotiza e seu olhar desliza.

Alegria


Passo a passo sorridente sorriso largo de gente contente;
Passo a passo em andeor, pom pom na cabeça

A bailarina? O palhaço Carijó!

Aparências

Um dia o visível se tornará invisível

E o que fora notado e apreciado será visto e desprezado.

Vazio

Acorde sem nota
Violão sem corda
Canção sem melodia

Foi assim que você deixou meu dia.

Reticencias


 Seguir, seguir, seguir sem fim, indo na contra mão,
O barco que naufraga, andorinha que não faz verão.

O sabor do nada


 Folhas secas pisadas viram pó
A ausência da presença causa nó
O amargo no doce esgota o prazer

O livro sem emoção não satisfaz o ser.

Ponto de seguimento

O fim pontuou o começo
Primavera se foi dando espaço ao verão;
O ardor quente que toma meu ser,
Saboreia o ar puro de liberdade.


Pretérito mais que perfeito

-Você consegue conjugar o verbo no presente?
- Sim!
- E no futuro?
-Talvez!
- E no passado?
-Não! Quando a primavera se vai, só o dono do tempo pode conjugá-la.


Manga espada


Da janela vejo o seu vai e vem no galho;
Amarela e verde, tal qual meu país;
Patriota, doce, saborosa. Ao despencar quase não se machuca, é uma fruta astuta.


Batendo asas

O escuro aconchegante que outrora fora o melhor abrigo,
Agora se tornou caos e perigo, não imaginava que seria assim,

Numa noite descansar como lagarta na outra voar como borboleta sem fim.

Coisas sem jeito

Um avião sem asas;
Um navio sem ancora;
Um barco sem mar;
Um carro sem estrada;
Um sopro sem vento;
Um barulho sem silêncio;
Um sorriso sem alegria;

Uma foto sem luz, e a cama vazia diante pro nada que afaga a agonia.

Frases de um dia...


O sopro que vem lá de fora nutre o espaço de som e harmonia.

A luz que prateia sua água, banha meu riso e afaga meu sentido.

Quem dera a leveza de sua pluma confortasse a febre da minha alma.

O preto e o branco;
O macio e o duro;

O olhar desafiador combate os olhos de ressaca.